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Uma série que acompanho e nunca me decepciona é “The Big Bang Theory”. Uma comédia dentro do mundo nerd, com todos os seus clichês colocados de forma extremamente divertida, e com enorme respeito aos preceitos científicos.

Esta série foi criada por Chuck Lorre, também autor da ótima Two and a Half Man, e Bill Prady (lembram de Gilmore Girls? Cria dele), dois produtores com excelente currículos na área de comédias. Ou seja, a série já teve um bom parto.

Como se trata de uma série sobre cientistas preocupada em não cometer equívocos na área, contrataram um professor de Física e Astronomia da Universidade da Califórnia, David Saltzberg, que revisa os roteiros e fornece diálogos na linguagem cientifica, equações matemáticas e diagramas utilizados como adereços, além de explicar as falas aos atores, quando se trata de termos científicos, para saberem sobre o que estão falando.  Simon Helberg, ator da série, disse uma frase que sobre este relacionamento: Me faz sentir um pouco menor saber que temos que pagar para outra pessoa explicar coisas que eu não sou inteligente o bastante para entender”.

A série é uma das mais fartas em referencias de cultura pop que já tive o prazer de ver. Já começa com o nome dos dois protagonistas, cujos nomes homenageiam o escritor/ator/diretor/produtor norte americano Sheldon Leonard, ícone cultural americano não muito conhecido por estas bandas. Só um alerta: você deve prestar atenção em cada cena, pois assim perceberá outras centenas de referências enquanto assiste aos episódios que podem estar tanto no dialogo quanto em objetos de cena.

Tratando sobre a  de dois físicos teóricos Leonard Leakey Hofstadter e Sheldon Cooper, nerds assumidos, que dividem o apartamento e vivem uma vida cheia de rígidas rotinas impostas por Sheldon (ele deve ter um TOC severo) e total ausência de vida social, a série mostra o esforço de Leonard em se adaptar aos padrões considerados normais, medíocres diria Sheldon, para conquistar uma namorada . O apartamento da dupla é repleto de artefatos nerds, capazes de fazer muito marmanjo babar de inveja – pessoalmente conheço um que quase chora quando os vê – e têm a semana dividida em atividades especificas e sistemáticas.

Seu limitado circulo social compreende seus dois únicos amigos: Rajesh Koothrappali, ou Raj,  e Howard Wolowitz, que trabalham com eles na Universidade de Pasadena. Os quatro usam seu tempo livre em passatempos puramente nerds: jogando Halo, RPGs,  lendo e comprando gibis,  jogando Scrabble em Klingon, assistindo maratonas de ficção cientifica, e em discussões que vão dos nomes de personagens de Stan Lee (realmente interessante que a maioria tenha nome e sobrenome iniciado com a mesma letra) à física quântica.

Sua genialidade é fundamental para sua carreira cientifica, entretanto não ajuda nas dificuldades que têm em se relacionar com o sexo oposto, e no caso de Sheldon com qualquer exemplar da espécie humana. Quando Penny, uma bela loirinha que trabalha como garçonete enquanto espera a carreira de atriz deslanchar, muda-se para o apartamento em frente e desperta a paixão de Leonard, altera radicalmente a rotina destes amigos. Não que Penny seja uma garota burra, dentro do estereotipo de bonita ser sinônimo de não ser dotada de inteligência, não é o caso. Simplesmente ela tem a inteligência mediana do ser humano normal, o que comparado ao altíssimo QI de seus vizinhos faz com que se sinta privada de neurônios. Outro agravante é sua total ignorância do mundo nerd, para se ter uma idéia ela não sabe quem é Stan Lee, o que dificulta bastante a interação entre eles. Fazendo contraponto a este seu desconhecimento, temos os meninos totalmente alheios ao que acontece  nas “baladas” do mundo moderno, ignorantes das regras esportivas e sociais da vida de um jovem comum da sociedade americana.

O choque destas duas realidades é que torna a série hilária. Desconhecendo o universo uns dos outros, fatalmente acontecem situações constrangedoras e, pelo menos para nós, divertidíssimas. Leonard é o oposto de todos os namorados (alguns lembram o Flash pela rapidez da duração do namoro) que Penny já teve: altos, musculosos e lindos. Como ele poderia ter alguma chance? Isto com o agravante de ela não entender como um homem coleciona gibis, compra bonecos, curte jogos e faz citações de formulas e pensadores que estão totalmente fora de sua esfera de conhecimento.

Basicamente é disto que trata a série, deste processo de conquista e adaptação. Para Leonard ela é a possibilidade do amor, algo que seu colega de apartamento julga impossível de acontecer: “Eu acredito que você tem tanta chance de transar com a Penny quanto o Telescópio Hubble descobrir que no centro de todo buraco negro existe um homenzinho com uma lanterna procurando por um fusível”. Enquanto Leonard se esforça para entrar no mundo de Penny, Sheldon finca pé em seus hábitos sem ceder um milímetro. O relacionamento dele com Penny é uma das melhores coisas da série. Não há nada de romântico em Sheldon, nem tensão sexual entre os dois, porém há o choque cultural. É interessante como os dois vão se tornando mais tolerantes entre eles de forma lenta e gradual.

Apesar de usar uma fórmula constante na televisão – grupo de amigos, colegas de apartamento, amores improváveis, opostos que se atraem, etc- consegue ser original justamente por conta de seus personagens únicos. Cada personagem teve uma construção meticulosa, fazendo-os totalmente diferentes um do outro, apesar de partilharem dos mesmos hábitos e gostos culturais. Cada um deles se relaciona de forma diferente com Penny, tornando latente sua ineficiência em lidar com garotas: Leonard busca o equilíbrio para agradá-la, Howard faz o sedutor de forma desastrosa, Raj não fala sóbrio com mulheres (com nenhuma mulher) e Sheldon é Sheldon.

Além de todos estes ingredientes temos as citações de brinde. Lembram que eu disse para prestarem atenção? Então, cenas esquecidas de filmes como Guerra Nas Estrelas ou Jornada, podem ser citadas no meio de uma discussão de física quântica com a maior naturalidade. Frases dos clássicos heróis de gibis, como Batman ou Superman, são verdades absolutas. Se você tem um amigo nerd torna-se mais divertido ainda assistir: “ah, eu queria um boneco destes do Lanterna Verde”, “nossa, ele tem um Mac!”, “esta cena que eles citaram é da primeira trilogia, quando Solo atira primeiro!”, etc. Fica muito mais divertido, eu garanto. Fora que você recebe uma explicação complementar para o que desconhece e, sejamos sinceros, até para o que conhece bem.

Voltaremos a falar sobre TBBT – como é intimamente chamada a série- para explorarmos mais os personagens. Enquanto isto, dê uma chance a série e divirta-se.

Até!