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Faz algum tempo, encontrei uma indicação de livro que me despertou interesse: “Coração de Pedra”, de Charlie Fletcher. Nunca tinha ouvido falar deste autor e fui pesquisar. Descobri que é inglês e vem de uma carreira no cinema, onde atua como roteirista. Entre seus trabalhos no cinema, está “Penalidade Máxima”, comédia de 2001, sobre um jogador que treina presidiários para um jogo contra os guardas da prisão. Também escreve argumentos para séries televisivas e colabora com vários jornais como colunista.

Fletcher está se consagrando como escritor infanto-juvenil, e como eu adoro este gênero de literatura, já que quero me divertir e não meditar, resolvi conhecer seu trabalho. O primeiro passo foi buscar criticas, que fizeram aumentar o interesse em “Coração de Pedra”. Assim, comprei o livro. A primeira coisa que me encantou foi a capa, na qual a foto de uma gárgula parece vigiar cidade. Sei que o livro é muito mais que uma capa, mas ela ajuda a decidir e incentiva a aquisição. Além da visão, ao tocar o livro percebi que o tato nos mostra um pouco do que esperar. A gárgula é áspera, como uma pedra. De bom gosto e criativa, serviu como mais um referencial positivo sobre o livro. E enquanto lia, não raro, meus dedos deslizavam pela aspereza da gárgula me dando mais uma sensação para apoiar a leitura.

A história flui numa linguagem simples, ágil e surpreendente. Há uma mescla de erudição com divertimento, que torna o livro cativante, com um enredo que cumpre o papel de despertar o interesse pela leitura. O livro infanto-juvenil, de forma indiscutível, tem a função de conquistar leitores e formar novos “devoradores” de livros; enfim, despertar no jovem o prazer de ler. Coração de Pedra tem este potencial.

O autor foi primoroso na sua construção da história, com descrições que nos permitem visualizar com facilidade as aventuras do jovem George Chapman, protagonista desta história.

George inicia uma série de acontecimentos, com graves conseqüências, por conta de uma explosão de raiva onde, com um soco, danifica uma estátua de dragão, arrancando sua cabeça. A vida do menino de 12 anos não é fácil: órfão de pai e com uma mãe ausente, totalmente focada em sua carreira de atriz, ele é uma criança infeliz e introvertida. Com este soco, George entra numa Londres “às avessas, uma dimensão paralela mas que se mistura com a dele. O grande problema é que ali ocorre uma guerra entre Estigmas e Cuspidos, estátuas que fazem parte do cotidiano londrino, mas que nesta realidade têm vida própria. Não vou explicar a diferença entre Estigmas e Cuspidos, nem o porquê do ódio entre elas que alimenta a guerra. Estas duas informações são explicadas na história e detalhar aqui privaria o prazer da descoberta. Não farei isto.

Ao quebrar a estátua, George se transforma em alvo dos Estigmas. E isto ocorre não apenas por ter danificado, mas por conta da herança deixada por seu pai: um talento. O menino passa a ser perseguido por toda Londres, com o agravante que ninguém, além dele, consegue ver do que o menino foge.

Nesta fuga, George consegue ajuda do Artilheiro, um Cuspido, que vira seu companheiro na busca de uma solução para o problema do menino. Acaba se juntado a dupla a menina Edie, um personagem cuja história está nas entrelinhas. Ela está acostumada a se bastar, é mais vivida do que George, apesar de terem a mesma idade, porque vive nas ruas numa fuga pessoal que a tornou dura e, por vezes, fria. Só que Edie também consegue ver as estátuas vivas e por isto se junta a eles contra a vontade do Artilheiro – e você terá que descobrir o porquê, na aventura. Para reparar seu erro e restabelecer a paz, George tem que levar o que destruiu ao Coração de Pedra. Mas, para isso, claro, ele precisa descobrir que coração é esse.

A história pode até parecer bobinha: “Estátuas vivas?”, mas não se engane. É uma história divertida, mas com muita adrenalina. São diversos personagens que ajudam – ou não – George e seus companheiros; acabamos mergulhando com tudo nesta realidade.

O único defeito do livro para mim é ser o primeiro de uma trilogia, sendo que ainda não há previsão de lançamento no Brasil dos outros dois. Assim, recomendo a leitura a todos que procuram diversão, mas que estejam cientes de que podem demorar a conhecer o final desta história.  Eu ainda aguardo.