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Eu gosto muito de mitologia, conhecer as lendas de outros países e regiões. Elas nos contam um pouco do país e das crenças do seu povo. Cada cultura tem sua explicação para a criação do mundo e de todas as coisas. O povo japonês tem uma cultura riquíssima, e uma mitologia muito interessante, contadas em dois livros, que têm algumas divergências entre si nas narrativas, mas mantêm a essência: o kojiki, que é livro mais antigo e trás relatos das coisas antigas, e o nihonshoki, ou Yamatobumi, o segundo livro mais antigo que seriam crônicas do Japão. O texto abaixo foi feito com base nas diversas versões disponíveis na internet, portanto é possível encontrar possíveis variações na nomenclatura de deuses e lugares, mas a essência é mantida. Dentro das lendas da criação do mundo e do surgimento dos deuses, escolhi para hoje a de Izanagi e Izanami, o casal que gera os outros deuses mais importantes na cultura japonesa e cria todas as coisas na natureza.

No início não havia nada além de uma massa viscosa no oceano de caos. Desta massa emergiu a primeira divindade: Kuni-toko-tachi (eternamente deitado no céu). Junto com ele, surgiram duas outras divindades, segundo a lenda um macho e uma fêmea. Esta trindade inicial produziu deuses e deusas. Porém os mais importantes foram Izanagi (homem que convida) e Izanami (mulher que convida). Todos habitavam o paraíso celestial de Takaamahara, que se refere aos céus, mas algumas teorias indicam que possa ser a ilha de Kyushu ou o Monte Fuji.

Izanagi e Izanami foram escolhidos para povoarem o reino de Izumo (Terra), ou seja, o Japão. Eles constroem a Ponte Celestial Flutuante, que segundo algumas versões seria o arco-íris, para chegar ao caos oceânico. Olhando da ponte, perguntavam-se se algo existia sob ela.

Curioso, Izanagi agita com sua lança flamejante as águas do oceano e quando as águas começaram a se aclamar ele retirou sua lança. As gostas caídas se solidificaram formando a ilha de Onokoro (a que seca sozinha).

Apesar de serem irmãos, desejaram tornar-se marido e mulher. Aprenderam sobre o amor observando duas aves, conhecidas como Alvéolas ou Lavadeiras, que até hoje são associadas ao casal. As aves eram carinhosas entre si, ensinando-os a arte de amar.

Estabeleceram seu lar na ilha de Onokoro e ali criaram uma coluna sagrada, e para criar mais terras fizeram um ritual: contornaram a coluna com Izanagi indo para a direita e Izanami para a esquerda, unindo-se como homem e mulher.  Quando o casal se encontrou Izanami falou primeiro, “Que prazer encontrar tão formosa e jovem terra“, elogiando a beleza do companheiro. Então Izanagi respondeu: “Que prazer encontrar tão linda criação“.

Entretanto, desta união não nasceram boas crias: o primeiro filho que nasceu foi um monstro, parecendo uma anêmona do mar. Eles recusaram a criança e a colocaram no fundo do oceano. Seu segundo filho foi a ilha de Awa, a qual também se recusaram a reconhecer como filha.

Intrigado, o casal pediu explicações aos deuses que disseram que Izanami havia falado primeiro quando o casal se encontrou no ritual, o que era incorreto. Era de Izanagi que deveria partir a iniciativa do encontro.  Vale lembrar que no Japão antigo a mulher só falava após o homem e sempre caminhava um passo atrás dele, em completa submissão.

Assim, repetiram o ritual, agora da forma correta. Desta nova união surgem seus  filhos: montanhas, árvores, ervas, quedas da água e o vento, que completou a criação do Japão, dispersando a densa névoa que encobria as ilhas japonesas.

O último filho a nascer união foi o kami do fogo, Kagutsuchi, que se tornou tão ardente que acabou queimando Izanami. A deusa, não suportando a imensa dor, partiu para a terra de Yomi – a região dos mortos- e prometendo a Izanagi que retornaria.

Izanagi permaneceu esperando, entretanto não podendo viver sem sua amada e cansado de esperar resolveu ir buscá-la no Yomi. Ao chegar no reino da escuridão, ele foi recebido pela esposa nos portões, que se recusou a retornar pois já havia provado da comida do Yomi.

Impaciente, Izanagi pediu que ela conversasse com o deus do Yomi para ser libertada. Ela concorda, mas exigiu que o esposo não a olhasse de perto e aguardasse ali. Desesperado de saudade da mulher e estranhando a imensa demora dela em retornar, ele a desobedeceu  e a seguiu.

A escuridão impedia sua visão, então tirou um dente do pente de bambu que prendia seus cabelos e o acendeu. Chocado, viu sua bela e amada esposa transformada numa grotesca criatura, com o corpo em decomposição, cheio de vermes retorcidos e cercado de serpentes.

Profundamente humilhada e enraivecida por Izanagi não atender seu pedido e invadir sua privacidade, ela ordenou que as Oito Mulheres Horrendas o despedaçassem. Izanagi defendeu-se magicamente e correu em fuga. Desesperado, quando alcançou a saída do Yomi atirou três pêssegos aos demônios que o perseguiam e enquanto eles os devoravam, escapou e trancou o reino dos mortos.

Ele declarou então seu divórcio de Izanani, que possessa com  esta decisão afirmou que todos os dias traria do reino do marido mil almas.  Izanagi respondeu que para cada mil pessoas mortas ele faria nascer mil e quinhentas.

Depois de subir ao mundo dos vivos, Izanagi purificou-se com água fazendo desaparecer as conseqüências de sua descida ao Yomi. Desta purificação ritual nasceram a deusa do Sol, da Lua e o deus das tempestades.

Fontes:

www.painandpower.blogger.com.br/2004_05_16_archive.html

www.areliquia.com.br/Artigos%20Anteriores/71JapDeus.htm

br.geocities.com/myukios/m_sirikaku/Amaterasu.htm

www.nipocultura.com.br/?paged=59

www.sonoo.com.br/MitologiadoJapao.html

pt.wikipedia.org/wiki/Mitologia_japonesa

www.narutototal.info/artigos/izanagi-e-izanami.html

www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=3033&cat=Infanto_Juvenil