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Quando escrevi o texto sobre a série TBBT, comentei que os personagens foram criados de forma meticulosa e construídos para serem únicos dentro de um universo de hábitos similares. Juntar o personagem com o intérprete correto é um dos maiores desafios de um diretor. Ou o personagem engole o ator, ou vice-versa. Nesta série o risco era ainda maior, pois errar no ponto com o personagem o tornaria caricato,o que não era o objetivo.

Na minha modesta opinião a equipe acertou em cheio em suas escolhas. Costumo cruzar as séries em minha cabeça e imaginar um rodízio nos interpretes, e em TBBT este jogo se torna muito difícil. Vejamos as escolhas:

Leonard é interpretado por Jhonny Galecki, um ator americano nascido na Bélgica (não se assustem, seu pai era da Força Aérea Americana). Leonard divide o apartamento com Sheldon e arrasta um bonde pela vizinha Penny. Ele possui intolerância a lactose, o que lhe causa de grandes embaraços, e tenta encobrir seus hábitos nerds numa tentativa de conquistar uma namorada. Claro que tentar esconder sua nerdice é uma batalha inglória (principalmente para quem utiliza um kit de shampoo e condicionador de Guerra Nas Estrelas), já que as provas estão por todos os lados do apartamento. O personagem sofre com as neuras de seu parceiro, porém eles se completam, não há como negar. Não é possível que no universo conhecido exista alguém com tanta paciência para lidar com Sheldon, acho impossível. Tem perdido espaço com a ótima sintonia entre Penny e Sheldon, mas é um personagem cativante. Uma das frases recorrentes do personagem é “Não pergunte!”, quando alguém questiona alguma atitude ou hábito de Sheldon, pois a explicação às vezes é torturante.

Kaley Cuoco não foi a primeira escolha para Penny. Chuck Lorre a achava muito nova para a personagem e chamou outra atriz, que chegou a gravar o piloto. Entretanto, os produtores decidiram refilmar tudo, refazendo o perfil da personagem e a entregando para Kaley. Decisão acertada. Penny vem de Omaha (Nebraska) buscando a carreira de atriz em Los Angeles, porém – como muitas – termina trabalhando num restaurante. A garçonete é moderna e entendida de cultura pop, mas desorganizada e distraída. Tão diferente de Leonard, que fica difícil saber se foi apenas sua beleza que o encantou ou o conjunto completo. Nas primeiras duas temporadas, todos os personagens com exceção de Sheldon eram interessados nela, mas nada rolava.  Penny surpreende, pois no inicio da série desdenhava os hábitos de seus colegas – nem sabia (herege!) quem são Adam West ou Stan Lee -  aos poucos vai absorvendo-os, chegando inclusive a fazer citações e tornar-se viciada em Age of Conan – um jogo online, chegando a assumir o papel de Leonard em explicar as atitudes de Sheldon.

Raj, diminutivo de Rajesh, é interpretado pelo inglês Kunal Nayyar. Astrofísico indiano, Raj mora em Los Angeles e tem longos debates com seus pais pela internet, o que torna comum a cena dele carregando seu notebook onde seus pais conversam (ou, como usualmente acontece, discutem) com ele. Tem particularidades interessantes como não gostar de comida indiana, porém seu destaque é pela incapacidade de falar com o sexo oposto a não ser que esteja alcoolizado, virando então um sedutor. Tem uma amizade singular com Howard, disparado seu melhor amigo, que leva seus pais a acharem que têm um caso – confesso que às vezes eu também acho que rola um clima. Na última temporada, percebi um crescimento no espaço do personagem, o que considero muito justo.

Ao mais “sexy” e “sedutor” do quarteto quem dá vida é o ator Simon Maxwell Helberg, que afirma que o grande desafio no judeu Howard Wolowitz é o excesso de autoconfiança do personagem. Howard é engenheiro e trabalha no campo de engenharia espacial da Universidade, projetando equipamentos para a NASA. O seu gosto pra roupas é um tanto duvidoso, principalmente se tratando de suas calças justíssimas e berrantes, porém não afeta seu ego inflado. Sedutor, usa cantadas em diversas línguas, que raramente dão certo, e sempre se insinua (tá, insinuar foi licença poética, ele se joga em cima mesmo) para Penny ou qualquer uma que use saia. A única coisa capaz de abalar sua autoconfiança é o fato de ser o único do grupo que não tem doutorado, possuindo somente Mestrado, isto o deixa realmente arrasado ainda mais que o fato é lembrando com muita freqüência por Sheldon. Entretanto, minha maior curiosidade com este personagem refere-se a sua mãe, tão berrante quanto suas calças, mas que nunca é mostrada. Como ela será? Eu já imaginei diversas versões, mas ainda quero saber quem está por trás daquela voz enervante.

Finalizando, temos Jim Parsons como Sheldon Cooper. O personagem que roubou a série e a dominou. Colega de apartamento de Leonard, pode-se dizer que também é seu melhor amigo. Vindo do Texas, Sheldon é totalmente oposto ao estereótipo texano clássico dos filmes, machista e másculo. Sheldon abomina qualquer atividade física e considera sua mãe meio doida por sua fé religiosa. Como o personagem, o ator tem uma postura perfeitamente correta, também fala Klingon e é obsessivo por organização, mas não tem tantas neuras como nosso nerd. Um gênio desde a infância, Sheldon foi para a faculdade com apenas 11 anos, ganhou prêmios importantes e desenvolveu todos os transtornos obsessivos compulsivos conhecidos e desconhecidos. Sua genialidade traz também toda sua excentricidade, seus hábitos são extremamente rígidos e qualquer mudança na rotina determinada o faz entrar em parafuso. Generosidade, tato e compreensão não fazem parte de seu vocabulário, sendo que interação social deve ser a única ciência da qual desconhece qualquer faceta. Fisicamente, parece um Louva-Deus gigante, mas esta é a sua característica menos interessante Não há como descrever com precisão este personagem, pelo menos não consigo. Acredito que ele seja de outro planeta e foi esquecido aqui durante uma pesquisa, ainda não conseguiu montar seu “et-fone”, mas quando conseguir a nave-mãe virá buscá-lo. Agora, seja de que planeta for que ele veio, amo as camisetas que ele usa: compraria todas!

Estes cinco personagens, tão diferentes e tão iguais, tornam o seriado tão interessante de assistir. A interação entre eles, às vezes tão complicada, é o que faz dar boas gargalhadas. Apesar do destaque de Sheldon, todos os outros personagens têm seus pontos altos. Gosto muito de Leonard, ele tem a mesma tendência que eu de se moldar ao desejo do parceiro e tem o ar carente que acho muito fofo, mas que eu não tenho nem de longe. Raj é outro personagem que tem se mostrado mais do que sabíamos dele, surpreendendo com algumas atitudes. Howard é o típico egocêntrico sem espelho, mas é muito divertido e suas relações afetivas sempre são exageradas e tumultuadas. Penny é, para mim, uma personagem que esteve apagada na última temporada, mas com suas novas associações com as garotas pode voltar a crescer, apesar de sua postura nos últimos episódios estar longe de serem a que eu adotaria.

Todos tiveram mudanças claras desde a primeira temporada, acho que assim como nós que os assistimos. Alguns personagens amadureceram, outros se tornaram mais herméticos, outras relações surgiram. Assim como eles, a minha relação com a série mudou também, já que a associo a momentos muito bons da minha vida, assim como a outros péssimos. Já me senti como cada uma daqueles personagens: incompreendida, amada, ridícula, inconseqüente, tímida, rejeitada, protegida, apoiada. Por isto acho que sou tão fã, porque ela traz personagens com os quais posso me identificar. Não é só por causa das camisetas, viram?

Por todos estes motivos, acredito que a produção da série acertou em cheio no elenco principal, mas nem tanto no de apoio. Tudo bem, pode ser que eu tenha esta opinião por não gostar de alguns personagens, estendendo este sentimento ao seu interprete, como no caso de Prya – irmã de Raj que ganhou bastante espaço na ultima personagem. O professor rival de Sheldon na Universidade, do qual sempre esqueço o nome, também não me parece muito convincente e não me pergunte porque acho isto que não saberia explicar. Tirando estes dois casos muito específicos, acredito que os demais se encaixaram como uma luva no personagem.

Para concluir, gostaria de sugerir que assistissem ao piloto original da série, onde outra atriz interpretava Penny. Provavelmente ficarão com a mesma sensação que fiquei: não é The Big Bang Theory. Talvez a decisão mais acertada até o momento para o destino da série tenha sido refazer o piloto e alterar o elenco. A pessoa certa no personagem certo sela o destino de uma série, um filme ou até mesmo uma novela.  O primeiro piloto é a “prova dos nove” desta máxima televisiva.

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